CARTA
DO RIO DE JANEIRO
Os
Representantes das Instituições Públicas, Empresas e Entidades não
Governamentais presentes ao 3º Congresso Estadual Sobre Controle dos
Agrotóxicos , em agosto de 1998, na cidade do Rio de Janeiro, decidem
manifestar sua posição em relação ao problema dos agrotóxicos. O
processo de desmantelamento das instituições públicas de Agricultura,
Meio Ambiente, Saúde, no Estado do Rio de Janeiro, é responsável pela
carência de recursos humanos, materiais e financeiros, o que paralisa
as ações necessárias ao controle dos agrotóxicos. O
uso indevido e inadequado de agrotóxicos é responsável pelos altos índices
de intoxicação verificados entre os produtores e trabalhadores rurais,
provoca a contaminação dos alimentos consumidos pela população,
causando ainda grandes danos econômicos e ambientais à sociedade. Esta
situação cria a necessidade de que se estabeleça um programa
permanente de capacitação dos profissionais legalmente habilitados a
prescrever agrotóxicos, dos responsáveis pela aplicação dos agrotóxicos
e dos profissionais de saúde para um melhor acompanhamento da questão
no tocante ao diagnóstico e terapêutica das intoxicações . É
fundamental a divulgação ampla de informações, facilitando o acesso
das instituições hospitalares e da sociedade aos Centros de Informações
Toxicológicas. O
desenvolvimento de ações articuladas das instituições federais,
estaduais e municipais de Agricultura, Saúde, Meio Ambiente, Trabalho e
Educação é importante para otimizar recursos e maximizar a obtenção
de resultados nesta questão. A
atualização da lei estadual prevendo o cadastramento dos agrotóxicos
no Estado e atualização do cadastro dos pontos de revenda são
necessidades imediatas. Finalmente,
defendemos como condição fundamental para o início da solução dos
problemas relacionados ao comércio e uso de agrotóxicos a reativação imediata da
CECAB- Comissão Estadual de Controle dos Agrotóxicos e Biocidas,
como órgão Coordenador das ações de controle dos agrotóxicos no
Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 07 de agosto de 1998PROPOSTAS
APROVADAS NA PLENÁRIA DO 3º CESCA
ESTRUTURAS
DE FISCALIZAÇÃO - AÇÃO DO ESTADO
PRODUÇÃO
E COMERCIALIZAÇÃO 1.
Reativação imediata da CECAB- Comissão Estadual de Controle de
Agrotóxicos e Biocidas; Definição de orçamento, áreas físicas e
recursos humanos para estruturação da CECAB como órgão do Executivo
Estadual; 2.
Que sejam implementadas, de imediato, as medidas necessárias
para o Cadastramento dos agrotóxicos para utilização no Estado do Rio
de Janeiro; 3.
Que o CREA-RJ e a FEEMA sejam mobilizados para definir uma ação
conjunta para o Cadastramento dos agrotóxicos; 4.
Que seja formalizado um acordo entre FEEMA e ANDEF para que ambas
se responsabilizem pelo recolhimento dos agrotóxicos apreendidos pela
fiscalização e daqueles que estão estocados (lacrados) nos
estabelecimentos comerciais, com suas embalagens e rótulos se
deteriorando, provocando vazamentos e dificultando a sua identificação.
Esses agrotóxicos devem ser encaminhados aos seus fabricantes para um
destino final adequado; 5.
Os agrotóxicos, a nível nacional, devem sair da fábrica
numerados por unidade, possibilitando o rastreamento
do agrotóxico a partir do usuário até o fabricante. Através
da presença do número do produto, na nota fiscal de venda, coibir a
venda do produto sem nota fiscal e consequentemente sem receita agronômica; 6.
As Entidades representativas da sociedade devem entrar com Ação
cível e criminal contra o MS- Ministério da Saúde e o IBAMA, quanto
ao uso de agrotóxicos registrados, nestes órgãos, para uso domissanitário,
já que os princípios ativos são os mesmos dos agrotóxicos fitossanitários.
Deve ser feita uma complementação da legislação em vigor para coibir
esse erro; 7. Os participantes do Congresso recomendam uma ação das Entidades representativas no sentido que os Órgãos Estaduais de Fiscalização (FEEMA, CREA, DFA-RJ/MA, Vigilâncias Sanitárias), bem como os de Orientação Técnica ( EMATER-RJ, Prefeituras, etc.) aumentem seus quadros técnicos, via concurso público, para que os produtores, usuários finais, obtenham orientação adequada e recebam orientação nas propriedades de forma que as receitas sejam emitidas no campo. USO,
MANEJO INTEGRADO E RECEITUÁRIO AGRONÔMICO
1.
Promover programas educacionais sobre "Manejo Integrado de
pragas e culturas" para Engenheiros
Agrônomos e Florestais, Técnicos Agrícolas, e Agricultores e outros
profissionais interessados. Como sugestão os cursos podem utilizar
todos os meios de informações disponíveis como cursos formais, curso
por correspondência, programas de televisão, Internet, CD-ROM etc. ·
Todos os profissionais autorizados a emitir receituário agronômico
serão obrigados a fazer periodicamente estes cursos ( ou atestar o
conhecimento correspondente ) sem o qual a partir de um período
estipulado perdem a autorização da emissão dos receituários. Fica
sugerido que a CECAB organize este processo. ·
É essencial ressaltar que a periódica reciclagem decorre das
modificações tecnológicas de aprimoramento das práticas agrícolas
decorrente da pesquisa agropecuária no Estado. ·
Encaminhar a proposição para CREA-RJ, AEARJ e APEFERJ 2.
Oferecer, freqüentemente, cursos
de preparação para aplicadores de agrotóxicos em cada município do
Estado, SENAR. 3.
Rever o modelo atual de receita
agronômica com o objetivo de adequá-la à realidade atual. 4.
Estimular a prática do “ manejo integrado de pragas e culturas
através da criação de um Selo Verde para produtos de qualidade”. Questões operacionais 5.
Atualizar o
cadastro dos Agrotóxicos vendidos no RJ. 6.
Atualizar o
cadastro de pontos de revenda de agrotóxicos 7.
Disponibilizar
um Sistema de informações computadorizadas. TOXICOLOGIA E SAÚDEMEIO
AMBIENTE, RESÍDUOS EM PLANTAS, SOLO, ÁGUA E ALIMENTOS Estrutura
e Organização
·
Estruturar e valorizar os órgãos públicos estaduais com
atribuições no controle de agrotóxicos (EMATER, FEEMA, Laboratório
Noel Nutels, PESAGRO e outros); ·
Produzir instrumentos de informação e de divulgação assim
como promover eventos relacionados as atividades desenvolvidas na área
de agrotóxicos; ·
Organizar um Banco de Dados contendo informações sobre:
·
Atividades e trabalhos técnico-científicos relacionados aos
agrotóxicos; ·
Base ativa química, base ativa molecular, nomes comerciais; .
·
Aplicações em diferentes áreas, dados toxicológicos e dados
ambientais para a consulta dos diferentes profissionais ligados a área.
·
Desenvolver infra-estrutura para melhor avaliar as solicitações
de cadastro de agrotóxicos, visando banir produtos, potencialmente,
perigosos à saúde; ·
Criar infra-estrutura laboratorial para o monitoramento adequado
dos recursos hídricos, solo, sedimentos, vegetais e trabalhadores
rurais e comunidades afetadas; ·
Levantar recursos, para o controle dos agrotóxicos, junto aos órgãos
de Pesquisa, Serviço e Produção: VIGSUS, CNPq, FAPERJ, CAPES, FINEP,
EMBRAPA, FECAM, ANDEF, ONG`s, entre outros; ·
Fortalecer e ampliar o Programa de Vigilância da Saúde das
Populações Expostas a Agrotóxicos, implantado em oito municípios do
Estado do Rio de Janeiro, buscando articulação intersetorial e
intrainstitucional dos setores de Agricultura, Educação, Trabalho, Saúde
e Meio Ambiente. ·
Promover articulação para trabalhos conjuntos com as áreas de
Vigilância Epidemiológica, Sanitária e Saúde do Trabalhador no
Estado e nos Municípios. ·
Criar instâncias democráticas para participação em definição
de atribuições dos diferentes atores na área de controle dos agrotóxicos. Legislação
·
Revisão e atualização da lei estadual de agrotóxicos tendo em
vista ser esta anterior à lei federal, compatibilizando com legislações
mais recentes; ·
Revisão e atualização das Normas Regulamentadoras (NR)
considerando o impacto da utilização de novos produtos; Toxicologia
e Saúde, Meio Ambiente, Resíduos em Plantas, Solo, Água e Alimentos
(continuação)
Tecnologias
Alternativas
·
Incentivo a prática de tecnologias alternativas através da criação
de linhas de crédito rural para a produção; ·
Incentivar a pesquisa de processos de produção sem agrotóxicos,
através de órgãos de fomento, tais como FECAM, ONG`s, e outros; Biotecnologia ·
Promover debates e discussões em todo o Estado do Rio de Janeiro
sobre Biotecnologia e Transgênicos. Disposição
Final de Resíduos e Embalagens
·
Criar mecanismos para recolhimento de embalagens de agrotóxicos,
e acompanhamento do seu destino final; ·
Localizar e controlar depósitos clandestinos de produtos; Educação
·
Desenvolver estratégias de formação de multiplicadores com
perfil pedagógico para atuarem na área de controle de agrotóxicos. Outras ·
Mapeamento, Zoneamento e Cadastramento das áreas onde ocorre a
utilização de agrotóxicos no Estado do Rio de Janeiro; ·
Desenvolver pesquisa sobre o impacto ambiental provocado pelos
agrotóxicos e seus metabólitos. ·
Visando minimizar danos ao aplicador, proibir no Estado a utilização
de misturas, em tanques, de agrotóxicos diversos; ·
Permitir a aplicação de agrotóxicos no campo somente por
aplicadores instruídos, treinados aprovados e credenciados pela FEEMA. USO
DE AGROTÓXICOS EM AMBIENTES URBANOS DOMISSANITÁRIOS;
PARQUES E JARDINS 1.
Necessidade de aumento do número de pesquisas, principalmente no
que diz respeito a controle de cupins, combate a fitoparasitas, controle
na produção de mudas, bem como certificação da qualidade mediante a
adoção de um selo específico, desenvolvimento de técnicas de
controle biológico e controle de ervas daninhas em centros urbanos. 2.
Credenciamento dos PCO`s junto ao órgão de controle ambiental,
mediante comprovação de capacitação técnica via SENAR e FEEMA (por
exemplo). Credenciamento e fiscalização de pessoas físicas junto à
FEEMA, mediante comprovação de capacidade técnica, sem cursos
oficiais. 3. Estruturação de um programa de educação continuada da população no que tange a aspectos associados à saúde, através do emprego da mão de obra hoje existente nas Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde, dentro dos grupos de IEC- Instrução, Educação e Cultura. 4.
Necessidade de treinamento dos profissionais de saúde ( médicos,
enfermeiras, Auxiliares de Enfermagem) no que tange aos procedimentos a
serem adotados em caso de intoxicação por agrotóxicos, desinfetantes,
etc. 5.
Divulgação ampla das redes de Centros de Informações Toxicológicas,
facilitar o acesso das instituições hospitalares a esses Centros, via
telefone, fax, Internet, etc. 6. Os Conselhos Profissionais devem exigir a efetiva participação dos Responsáveis Técnicos com critérios uniformes; entrosamento com os órgãos fiscalizadores, objetivando a ativação da fiscalização e unificação do discurso junto às vigilâncias sanitárias. 7.
Regionalização das discussões, dentro da problemática local
evitando congestionamento de soluções de âmbito nacional. 8.
Elaboração de legislação específica em âmbito estadual e
nacional. 9.
Esclarecimento da sociedade através de assessoria de imprensa. 10.
Efetivação de um serviço informativo e de denúncia para PCO`s
junto as Entidades de Classe e Formação de banco de dados dos PCO`s a
nível nacional
|