Saiba mais sobre as greves na Petrobras, na Casa da Moeda e na Dataprev

Os petroleiros alertam que a decisão do governo de fechar a Fafen-PR ignora, inclusive, os riscos para a manutenção de produtos tóxicos estocados nas suas instalações

Segunda, 03 de Fevereiro de 2020, 18:03 h


A direção do Sindipetro/MG e da FUP conseguiu, nesta manhã (3), libertar os 37 petroleiros mantidos e cárcere privado dentro da Regap, em Betim, desde as 23h30 da sexta-feira (31). O “cárcere privado”, segundo Alexandre Finamori, diretor do Sindipetro/MG e da FUP, tentava impedir a adesão dos trabalhadores à greve - Foto: FUP
 
Os 13 sindicatos filiados à Federação Única dos Petroleiros (FUP) entraram em greve nacional neste sábado (1º), cobrando da Petrobras o início de um processo de negociações para evitar a suspensão das cerca de mil demissões dos trabalhadores da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen), do Paraná, além do cumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho em relação a questões como regimes de turno, jornadas de trabalho, Assistência Médica de Saúde (AMS), bem como às novas regras para o pagamento da PLR. Durante o dia de hoje (3), atos e manifestações estão ocorrendo em várias unidades da Petrobras pelo país.
 
A Fafen estava ocupada por seus trabalhadores desde o dia 31 de janeiro, contra o fechamento da unidade e as demissões, determinadas sem qualquer comunicado às representações da categoria -- medida que desrespeita o ACT, segundo o qual, a Petrobras não pode promover dispensas nem transferências sem negociação prévia com o sindicato.  Os trabalhadores deixaram a fábrica na tarde deste sábado (01/02), acompanhados por fiscais e pela vice-procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho do Paraná, Cristiane Salqueiro Lopes, que constataram a insegurança da planta, após o vazamento de amônia, que, apesar de controlado, ainda oferece riscos aos trabalhadores e à comunidade. A responsabilidade por colocar a unidade em “hibernação” está agora com a direção da fábrica. 
 
Na sede administrativa da Petrobras, no Rio de Janeiro, a Comissão de Negociação Permanente da FUP está desde a sexta-feira (31) aguardando a direção na sala de reunião do 4º andar da sede do edifício-sede, no Centro. A empresa chegou a cortar a água e luz da sala, mas a juíza do trabalho Rosane Ribeiro Catrib autorizou a permanência dos petroleiros, enfatizando a legitimidade da Comissão de Negociação e, em outra liminar, determinou o restabelecimento da luz e água, sob pena de multa de R$ 100 mil por hora de descumprimento. A luz e a água foram religadas, mas o ar condicionado continua desligado na sala onde estão os petroleiros, e que não tem qualquer tipo de ventilação, apesar do calor escaldante do Rio de Janeiro.
 
Gerson Castellano, diretor da FUP, cita a quantidade de indústrias fechadas nos últimos tempos, a perda crescente de postos de trabalho e os aspectos estratégicos do sistema Petrobras, que embasam luta dos petroleiros para o desenvolvimento do país. “Estamos resistindo porque queremos que a Fafen volte a funcionar gerando empregos, renda e industrialização para o país”. Estudos feitos pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (INEEP) mostram que a Fafen-PR é produtiva e viável, portanto, não há justificativa para o fechamento. Pelo contrário, os dados demonstram a necessidade de produção de amônia e ureia no país.
 
Ele ressalta que o projeto do governo Bolsonaro é manter a Petrobras atuando apenas na área de exploração, exportando o óleo cru e importando os derivados, o que além de gerar desemprego e a entrega da estatal, aumenta os preços dos combustíveis. “As refinarias estão com baixa carga, trabalhando muito abaixo de sua capacidade de refino do petróleo no Brasil”, completa. Como resultado, o país já está importando 500 mil barris de derivados por dia, a preços internacionais, informam os dirigentes da FUP.
 
Casa da Moeda, Datraprev e a soberania nacional
 
O desmonte das unidades do sistema Petrobras afronta a soberania nacional, da mesma forma como a determinação do governo de vender estatais como a Dataprev e a Casa da Moeda, onde os trabalhadores também se encontram em greve nacional.
 
Os funcionários da Casa da Moeda iniciaram uma greve de advertência de 24 horas, que de acordo com os trabalhadores, paralisa e produção de passaporte nesta segunda-feira (3). Os empregados realizam manifestação contra a privatização e alteração de benefícios trabalhistas promovidos pela diretoria da instituição.
 
Na Dataprev, responsável pelo processamento de todos os benefícios sociais e dados de vínculos de trabalho dos brasileiros, a paralisação contra a proposta de venda da empresa começou no dia 22 de janeiro – dia 28, na cidade do Rio, contra a proposta do governo de fechar 20 regionais, com demissão imediata de 494 trabalhadores, 15% do quadro total de 3,36 mil. A greve obrigou a direção da empresa a suspender, ao menos temporariamente, o programa de demissões anunciado no início deste ano. A Lei de Greve proíbe, em seu artigo 7o, “a rescisão de contrato de trabalho durante a greve, bem como a contratação de trabalhadores substitutos”. Amanhã (4), haverá nova assembleia para avaliação do movimento.
 
Acompanhe a greve dos petroleiros no site: https://www.fup.org.br/

* Com informações da CUT, FUP, Sindicato Nacional dos Moedeiros, SindPD-RJ 
 
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